Nossa História
Tudo começou através de Valério Vilas Boas. Nascido em Olinda, Pernambuco em 16/11/1887 e desencarnado em 10/07/1944, Valério foi uma figura importante para o município de São João de Meriti. Além de exercer cargos públicos como os de Delegado Escolar, Subdelegado de Polícia, Despachante Municipal e Juiz de Paz, Valério dedicou grande parte de sua vida ao seu lado espiritual. Como espírita praticante e dedicado, fundou em 1936, junto com seu inseparável amigo, Manoel Gonçalves Pereira – o Manduquinha, o Centro Espírita Pai José de Aruanda. Pai José era um preto-velho humilde e extraordinário, que incorporava no também não menos extraordinário médium Manduquinha. Além de Pai José de Aruanda, Manduquinha também emprestava sua matéria a outros guias maravilhosos como Ogum Megê, Xangô Tira-teima, Caboclos Cachoeira e Cachoeirinha, Calunga de Nanã, Crispiniano, Caboclo Arruda e outros.
O Centro que funcionava nos fundos da residência de Valério, só praticava a caridade pura, gratuita e desinteressada e era dirigido pelo espírito do também humilde Pai Semeão.
Foi no Centro Pai José de Aruanda que grandes médiuns iniciaram seu desenvolvimento mediúnico. Acácio, Peti, Dulce, Nair, Zazá, Álvaro, Átila, Mozart e o nosso saudoso Luiz de Mattos deram ali seus primeiros passos no trabalho mediúnico. Foi ali que Luiz de Mattos começou a grande missão de sua vida.
Por motivos de força maior, Luiz de Mattos teve que interromper seu desenvolvimento mediúnico. Vinte anos mais tarde, voltou a freqüentar outro Centro, agora em Nilópolis, levado justamente pelas mãos de Valério Vilas Boas Filho, que mais tarde viria a ser o nosso querido Camboninho. Quis o destino que Manduquinha também viesse freqüentar o mesmo Centro, justamente na época em que o desenvolvimento de Luiz de Mattos já progredia.
Foi em uma cerimônia simples, em uma bonita tarde de sol, que o mesmo Pai José que iniciou Luiz, lavou a sua cabeça e disse-lhe: “Você é filho meu, estava no meu samburá e Papai do Céu colocou-nos novamente no mesmo caminho, trazendo-te às minhas mãos”. Algum tempo depois, o espírito de Pena Azul se manifestava pela primeira vez em Luiz de Mattos.
A primeira grande missão de Pena Azul foi retirar Luiz de Mattos do Centro em que estava. Infelizmente, aquela Casa espírita havia sido tomada por um mistificador e para que a missão de Luiz não fosse desvirtuada ou interrompida era preciso seguir, já que nem todos aceitavam aquela verdade. Com a esperança de que aquele Centro pudesse um dia voltar a ser liderado pelo seu verdadeiro dirigente, mas com a certeza de que naquele momento era preciso ir em frente, Pena Azul e Luiz de Mattos deixaram o Centro de Nilópolis, já acompanhados do espírito do Caboclo Roxo, certos de que um dia trabalhariam no seu próprio Centro.
Nesse período, Luiz de Mattos, que era tabelião e trabalhava no Cartório Luiz de Mattos – 3º Ofício - Comarca de Nilópolis junto com Salomão D’Ávila Torres, conheceu nossa irmã Maria Luiza Babo de Mendonça, cunhada de Salomão.
Como era preciso um local para continuar o trabalho de Pena Azul, Maria Luiza ofereceu sua própria casa, na Av. Nilo Peçanha, 203 em Nova Iguaçu, para este fim. E assim, em meados de 1963, no quarto do filho de Maria Luiza, começou o Grupo Experimental Renovador Irmã Scheilla.
Muitas operações e materializações foram realizadas nesse local, perfumes que embalsamavam todo o ambiente dos médiuns presentes. O Grupo contava com as presenças de Irmã Cláudia, Irmã Scheilla e Dr. Eugênio Lucena. Quando necessário, Pena Azul também incorporava em Luiz de Mattos e atendia na sala da casa.
Em julho de l965, o Grupo com sede provisória mudou-se para a Rua Rita Gonçalves, 95 – fundos, em Nova Iguaçu, na casa da Zazá, irmã de Maria Luiza. Nos fundos foram construídos dois cômodos, um para atender as necessidades do Grupo e outro totalmente dedicado à prática da Umbanda.
Após algum tempo, em frente à casa de Zazá, começou a ser construída a sede própria denominando-se até os dias atuais de Centro Espírita Irmã Cláudia. (CEIC).
O nome dado ao Centro foi uma homenagem a Irmã Cláudia, um espírito que em outras encarnações foi colega de Pena Azul em profissão.
No CEIC as sessões Umbanda eram dirigidas por Pena Azul e pelo Caboclo Tupinambá. E sempre que necessário, Pena Azul atendia em um cômodo separado, chamado até hoje de “Bandinha de Pena Azul”.
Passado certo tempo, Pena Azul prosseguia em sua missão maior que era divulgar a Umbanda como uma religião de caridade e fé, muito maior do que as práticas difundidas pelos Umbandistas naquela época. Foi nesse momento que algumas delas como charutos, bebidas e comidas passaram a ser abolidas. Mas, nem todos concordavam com as mudanças implantadas por Pena Azul e por isso, Luiz de Mattos foi levado a afastar-se do CEIC.
Com ele foi um grupo de doze pessoas para o Grupo Espírita Barão de Cotegipe, que na época foi gentilmente cedido pelo seu Presidente, Renato.
Podemos dizer que a partir deste momento começa a história da Casa de Cláudia – a Morada da Fé. Segundo registro em Ata, 06/10/1971 em Nova Iguaçu, foi realizada uma sessão espírita com o propósito de se promover a união de pessoas de boa vontade desejosas de se dedicarem à prática da caridade, seguindo os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Nesta reunião fez-se presente o espírito de Padre Germano que falando em nome da espiritualidade, deixou emocionante mensagem de fé e amor, declarando fundada a Casa de Cláudia que se constituiria numa Casa de vivência do Evangelho. Através de outro médium fez-se presente também o espírito Irmã Cláudia, nossa patrona e orientadora, pronunciando palavras de fé e de confiança na permanente união dos irmãos da Terra. Pena Azul se pronunciou em nome da Umbanda, ressaltando a necessidade de cultuarmos, sobretudo, o perdão. Três espíritos, representantes dos três pilares da Umbanda, participaram da fundação espiritual da Casa de Cláudia.
Entretanto, após algum tempo, o próprio Caboclo Pena Azul, entendendo que a Casa de Cláudia estava praticando Umbanda dentro de um grupo Espírita Kardecista (embora houvesse sido cedido gentilmente), pediu que fosse procurado outro local, evitando assim qualquer constrangimento em relação aos freqüentadores daquele grupo.
A Casa de Cláudia passou então a ocupar, sem a menor comodidade, duas salas de um prédio em construção, em frente à estação de Juscelino Kubistchek, lá permanecendo por cerca de um mês e meio. Em seguida, o irmão Alberto conseguiu um sobrado na Av. José Mariano dos Passos, 936, em Belford Roxo, bem amplo e com acomodações para todos os departamentos da Casa, além de um salão bem espaçoso para desenvolvimento da Umbanda e os seus assistidos. Após algum tempo, não desejando o proprietário renovar contrato com a Casa, a Casa de Cláudia foi transferida provisoriamente para o apartamento da irmã Myriam, na Rua Belkis, 18 - em Coelho da Rocha.
Em 1975, foi nomeada uma comissão de obras para a futura sede própria, tendo como membros, Sr. Waldinar Marques Castanheira, na qualidade de presidente; Sr. Valério Vilas Boas Filho, o Valerinho, como tesoureiro e Sr. Carlos Orivaldo que nos almoços era encarregado da cantina. Foram realizadas campanhas do tijolo, festival de tortas, prosseguindo com a realização de vários almoços, e outras promoções. Ainda em 1975, o Sr. Waldinar, fez uma doação através de escritura do lote l8 da Rua Judith (atual R. Estudante Eliane Castanheira) em S. João de Meriti. A Diretoria da Casa, no entanto, chegou à conclusão de que por ser o terreno muito acidentado, o próprio nivelamento seria muito oneroso. Em vista disto, o próprio Sr. Waldinar permutou o terreno também através de escritura pelo de lote l5 da quadra 6 da Rua Maria Emília, onde afinal veio a ser construída a nossa sede própria e onde estamos até hoje. É mais do que necessário ressaltar as doações e o esforço do Sr.Waldinar, que foi o grande construtor de nossa sede, dedicando-se diariamente ao serviço, trabalhando muitas vezes como simples operário.Construída a Casa de Cláudia que foi registrada no Conselho Nacional de Serviço Social do Ministério de Educação e Cultura e declarada de utilidade pública Federal, Estadual e Municipal, pela Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, pela lei 6816, pela Câmara Municipal de Nova Iguaçu, pela deliberação n º 409 de 20/09/1972 e pela Câmara Municipal de São João de Meriti pela Deliberação nº 264 de 23.07.1975, foi promovida a sua ocupação definitiva, em uma reunião realizada no dia 30/07/1976 onde, além de outros, estavam presentes, Valerinho, Hermes, Maria Vânia, Miryam, Giselda, Climério, Ivonete, Marilena, Nercília, Luiz de Mattos e João Goulart.
Após a ocupação da sede própria, Pena Azul pode finalmente dar continuidade a sua missão. Pena Azul pode falar e praticar a Umbanda como uma religião sem amarras materiais, que reconhece e rende homenagem aos seus Orixás, suas entidades, mas com um único objetivo, o engrandecimento do espírito através da caridade. Disciplinador ao extremo, combateu em seu Centro todo e qualquer tipo de vaidade. Para Pena Azul não fazia sentido que alguém que se dizia Umbandista, que acredita nos ensinamentos dos tão queridos Pretos-Velhos, brigar por cargos e ou posições privilegiadas dentro ou fora das sessões. Para Pena Azul ser Umbandista era acima de tudo ser humilde e ter uma vida de dedicação à religião, e não o contrário, querer que a religião se dedique ao médium ou lhe renda qualquer tipo de homenagem ou status.
Desde esse tempo, os médiuns que entenderam a missão de Pena Azul e o seguiram foram brindados com mensagens e ensinamentos mais do que valiosos. Recebemos durante algum tempo as visitas de Pedro, o espírito de um jovem de 16 anos, que nos falava sobre espiritualidade e sobre o mau comportamento da humanidade, bem como a falta de religiosidade na Terra. Com tantas outras belas comunicações, tivemos também as presenças do Caboclo Maringá, Emmanoel, Egou, Grego, como também de Tongo, espírito japonês que na maior escuridão desenhou os retratos de Pena Azul e Nhá Chica, que ficam hoje na secretaria da Casa, de Maringá, de Irmã Claudia, de Eugênio Lucena, de Irmã Scheilla e de Irmã Mônica.
Também tivemos a honrar de receber a visita, por uma única vez, do espírito de Clementino, o espírito mais iluminado e evoluído que já esteve presente em nossa Casa. É ele quem faz a ligação da Casa de Cláudia com a alta espiritualidade, já que habita e trabalha ao lado de Oxalá. Sua visita foi previamente anunciada e todos os médiuns e grande número de convidados presentes receberam tão preciosa bênção.
E assim a Casa de Cláudia prosseguiu, sob a liderança de Pena Azul e orientação de seu médium, Luiz de Mattos.
Em 30/03/1988, Luiz de Mattos desencarnou, deixando um imenso vazio em nossos corações. Mas, ao contrário do que muitos pensavam, o trabalho da Casa de Cláudia não poderia acabar. Pena Azul havia cumprido a sua missão: fundar a Casa de Cláudia e fazer dessa Casa um ponto de luz e ensinamento na Terra.
Sob a direção do Caboclo Roxo e a orientação do Caboclo Pena Dourada, a Casa de Cláudia prosseguiu, tendo Nercília (esposa de Luiz), Marilena (filha de Luiz) e Myriam (grande amiga de longa data) como os alicerces dessa nova etapa.
Hoje, após o afastamento de Myriam por conta de condições físicas, nossa Casa é dirigida pelo Caboclo Cachoeirinha, o que nos prova que a Umbanda é realmente feita de reencontros (se voltarmos o início desse histórico já veremos a presença desse Caboclo no embrião de nossa Casa). Além da orientação do nosso grande mentor Caboclo Pena Dourada (irmão de Pena Azul em uma de suas encarnações).
Assim é a Casa de Cláudia. Uma Casa Umbandista, nem melhor, nem pior que outras Casas, apenas diferente. Uma Casa que sem nenhuma intenção de fazer qualquer tipo de julgamento a respeito de qualquer outra Casa de Umbanda, pratica a sua Umbanda, sem bebidas, sem comidas, sem fumos, sem cobranças de pagamento, sem matanças, sem hierarquias. Uma Casa que acredita e foca em trabalhos sociais e na propagação da fé. Assim ela foi planejada no espaço, assim ela nomeada e assim ela prossegue: Casa de Cláudia. A Morada da Fé.




